Sabiam que:
- Mais importante que ter um grande Q.I. é ter um bom Q.E.?
- Há emoções e pensamentos tóxicos?
- O temperamento - tal como o stress - não é fatalidade e pode ser controlado?
- A ira e a agressividade - por exemplo, dar uns safanões no colega do lado ou um pontapé no carro do "Setôr" - não são só atitudes condenáveis, susceptíveis de castigo, mas um sinal de fraqueza emocional e pouca inteligência?
- E se disser que, afinal, os homens são o sexo vulnerável?
Estas e muitas mais ideias inovadores num interessante livro: «A Inteligência Emocional», de Daniel Goleman.
Os conceitos evoluem, toda a gente sabe. Até o conceito de Inteligência - com aquele ar tão sólido, embora pouco fácil de definir!... - já não é o que era.
Pois é! Ter médias excelentes, conhecimentos enciclopédicos ou uma facilidade extra para destrinçar teoremas complicados ou resolver complexas equações já não é, necessariamente e só por si, sinónimo de "ser inteligente".
Bem, não fiquem para aí a pensar que, agora, o que está a dar é ter umas "negas" ao fim do período ou ser ignorante como um calhau. Nada disso. Pelo contrário!
Vem isto a propósito de Inteligência Emocional, expressão de que muito se fala ultimamente, em especial desde que os avanços na neurobiologia demonstraram a importância e papel das emoções nos raciocínios e tomadas de decisão individuais.
Esses avanços na neurobiologia têm sido possíveis graças às modernas tecnologias de Ressonância Magnética e outras, que permitem visualizar o cérebro em pleno funcionamento e nas situações mais diversas. Desde já uma palavra para António Damásio, o neurologista português, radicado nos Estados Unidos, que tem desenvolvimento uma importante investigação nesta matéria, e para o seu último livro "O Sentimento de Si", que fala exactamente do papel das emoções na Consciência.
Mas, afinal, o que é isso de Inteligência Emocional? Respondo com uma pequena história, muito resumida, que li algures.
Uma senhora sentia-se muito doente e andava a tratar-se num Hospital sem que os médicos conseguissem descobrir qual a doença que a afligia. De médico em médico chegou à consulta de um conceituado Professor catedrático, doutorado com elevadas notas, cheio de conhecimento e saber. Bastou ao tal médico um estudo breve das análises e exames da senhora para perceber qual a doença, que até era grave, de que ela padecia.
Então o referido médico catedrático, muito secamente, transmitiu a notícia à doente. Apanhada de surpresa, esta ficou em estado de choque e saiu a correr do consultório, declarando que nem queria fazer o tratamento.
Valeu à senhora o apoio dos outros médicos - os tais que não tinham tido "inteligência" para acertar com o diagnóstico -, mas que souberam desdramatizar a situação, consolá-la, enchê-la de esperança e coragem, levando-a a iniciar o tratamento.
O tal médico catedrático, provavelmente, tinha muito Q.I. (Quociente de Inteligência) mas pouco Q.E. (Quociente Emocional), ou seja, a capacidade de entender e lidar com as emoções e sentimentos dele próprio e das pessoas com quem se relacionava. Resumindo: faltava-lhe empatia.
Para além da capacidade de sentir e demonstrar empatia, a Inteligência Emocional caracteriza-se por várias outras competências. Por exemplo, a capacidade de a pessoa se motivar a ela mesma e persistir nos objectivos traçados, a despeito das frustrações; de controlar os impulsos e "adiar a recompensa"; de regular o seu próprio estado de espírito e impedir que o desânimo, a ira, o medo, a ansiedade, etc... subjuguem a faculdade de pensar e agir correctamente.
Inteligência Emocional - Aprende-se, adquire-se!
A boa notícia nesta questão da Inteligência Emocional é que se trata de características susceptíveis de aprendizagem.
Várias empresas norte-americanas estão a ministrar aos seus trabalhadores cursos de "Aprendizagem Social e Emocional". Provavelmente não porque sejam "bonzinhos" e gostem que as pessoas se sintam felizes no local de trabalho. Mas porque, à boa maneira americana, rapidamente se aperceberam do papel crucial do controle das emoções para um bom ambiente de trabalho e uma produtividade elevada, com os consequentes lucros.
Também em várias escolas de alguns estados norte-americanos se vêm efectuando, desde há alguns anos, programas de "Desenvolvimento Social" e "Ciência do Eu", com base na aplicação prática das teorias de Inteligência Emocional. Os resultados, em comparação com escolas onde não existe o programa, traduzem-se num melhor ambiente escolar - menos agressividade e violência nas aulas, menos delinquência nos alunos, menor iniciação no consumo de drogas - e também uma melhoria nos resultados escolares, com melhores notas nos testes de avaliação.
Quanto ao citado livro "Inteligência Emocional", é ainda de referir que o autor - Daniel Goleman - é um psicólogo de grande prestígio nos Estados Unidos e que o livro é um best-seller lá nos States...
Nota: o texto, acima editado, foi escrito pelo Luís, meu filho, já lá vão três anos. Trata-se de um trabalho de escola, feito no 12º ano.
Publicado por vmar em dezembro 28, 2003 10:55 PMPois, pois .... meu amigo.
Mas olha que é bem importante a inteligência emocional. Não é uma questão de moda, acredita.
Ainda vou fazer umas coisitas sobre isso se tiver tempopara meter no meu blog ... risos
Abraço
Gin
Afixado por: GIN em dezembro 28, 2003 11:07 PMEu não acho que isto da inteligência emocional seja uma modazita passageira. Vejo mais como uma necessidade. Aliás, acho que devia fazer parte integrante de todos os programas escolares, ser “ensinado” nas escolas desde a pré-primária à faculdade, de modo a ir dotando o petiz e o adolescente, nesses anos tão cruciais da sua formação como ser humano, de ferramentas válidas que lhe permitissem viver a vida de uma forma mais saudável e positiva, quer no relacionamento com ele mesmo quer como ser social.
Era bom que mais gente falasse destas coisas. Escreve, Gin, estou à espera. O tema dá pano para mangas, conversa para vários serões...